ee

ee

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Portugueses na meia-final do YouTube Space Lab

A pergunta é simples e convenceu: será que as leveduras no espaço produzem mais álcool do que na Terra? Com esta experiência, Guilherme Aresta, Daniel Carvalho e Miguel Ferreira chegaram nesta terça-feira, dia 17, à semi-final da competição YouTube Space Lab, junto com mais 59 projectos de todo o mundo.

As duas equipas que ganharem vão ver a sua experiência testada na Estação Espacial Internacional. E 25% da avaliação que conta para passar à próxima etapa do concurso é dada por votação dos utilizadores no YouTube.“Ficámos radiantes, como é óbvio”, disse Guilherme Aresta, 18 anos, ao telefone. A escolha “foi entre milhões”, calculou.

A ideia, organizada pela NASA, pelo YouTube, pela empresa espacial Space Adventures, pela loja Lenovo e pela Agência Espacial Europeia, foi lançada a 11 de Outubro de 2011 a nível internacional, para jovens entre os 14 e 18 anos. O objectivo era conceber uma experiência que pudesse ser testada na Estação Espacial Internacional.

60 vídeos nos finalistas

Cada equipa tinha de enviar até 14 de Dezembro uma proposta organizada segundo a metodologia científica: uma pergunta a que a experiência quer responder, uma hipótese, o método para testar e os resultados que esperam. Além disso, era necessário enviar um vídeo de poucos minutos que explicasse a experiência. Os vídeos dos 60 finalistas estão publicados no canal da competição, e ficam submetidos à avaliação de quem passe por ali e deseje votar.

“A experiência tinha de estar envolvida de certa forma com a ausência de gravidade, uma das ideias é a experiência básica da separação da água do azeite, a nossa também se baseia nesse princípio de densidade, mas utilizando as leveduras para a produção de álcool”, disse Guilherme Aresta, que é estudante de bioengenharia da Faculdade de Engenharia tal como Daniel Carvalho, 17 anos e Miguel Ferreira, 18 anos.

“Um dos tópicos actuais é a crise energética, achámos que devíamos trabalhar nessa área, e por isso pensámos no uso de leveduras na produção do etanol para combustível”, disse Guilherme Aresta. No caso das naves espaciais, o etanol poderia servir como o biocombustível que alimentaria, por exemplo, os sistemas eléctricos.

A experiência em desenhos

O vídeo intitulado “Yeast-Powered Space Travel" (ao lado) explica, passo a passo, a experiência com ajuda de desenhos. As leveduras produzem etanol quando se alimentam e, segundo a hipótese dos três estudantes, se estiverem submetidas à microgravidade espacial, vão estar numa suspensão perfeita para produzir etanol, ao contrário da Terra, em que a gravidade faz com as partículas fiquem agregadas consoante a densidade que têm, o que dificulta um metabolismo mais eficiente.

A competição tem duas categorias, consoante a idade. A equipa portuguesa concorreu na categoria de 17-18 anos, na região Europa, Médio-Oriente e África. Há mais duas regiões, as Américas, e a Ásia e Pacífico. A equipa passou à primeira fase de selecção. Há dez finalistas por cada região e categoria. Até 24 de Janeiro, quem quiser pode votar todos os dias no seu vídeo favorito. As votações dão 25% da avaliação a cada vídeo, os outros 75 por cento serão dados por um júri constituído por personalidades de renome como Stephen Hawking.

Haverá seis vencedores regionais anunciados a 21 de Fevereiro, um por cada categoria e região, e dois vencedores mundiais anunciados um mês depois, um por cada categoria. Os vencedores regionais terão direito a uma viagem a Washington e a uma experiência de gravidade zero. Os dois vencedores mundiais verão a experiência realizada na Estação Espacial Internacional, e poderão escolher entre ter um treino de cosmonauta de uma semana na Rússia ou a oportunidade de assistir ao lançamento do foguetão com a sua experiência, no Japão.

“Este tipo de concurso é acessível a todos e é uma porta que pode abrir para o futuro”, disse Guilherme Aresta. “Nunca pensei que conseguíssemos idealizar algo tão simples e que pode ter alguma utilidade para o futuro, caso funcione.” Agora é esperar.

in http://p3.publico.pt/ - Texto de Nicolau Ferreira • 18/01/2012 - 11:11

Sem comentários:

Enviar um comentário